quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Olá.

Olá.
Essa palavra que me deste: distância terá?
Essa palavra que me deste: cerca estaria?
Distante seja ou cerca até, mas avessada.

Se cerca: é o q’ao longe vejo.
Se distante: é o q’ao perto tenho.
Ao perto é o ver do não ver: escuridão.
Ao longe é o mal ver do ver: janela.

E nessa janela já tamanha foi a luz.
Luz foi de te ver te sentir: te ter.
De me veres me sentires: me teres.

Foste tu sem ti.
Fui eu sem mim.
Fui mim em ti.
Foste ti em mim.

Neutra palavra que é tudo e é nada.
Que é e o contrário do que é.
Sim no não ou não no sim.

Olá!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ATLÂNTIDA

E agastados com tamanha contradição entre tamanha pequenez e tamanha grandeza: agarramo-nos à fatalidade europeia. Estamos na Europa sem amarmos a Europa. Estamos na Europa por fatais razões quantitativas. E estamos na Europa sem que a Europa esteja em nós. Porque esta Europa foi criada para resolver problemas que nunca foram problemas nossos.


Dei comigo a reler “Os Lusíadas”. Há muitos anos que não os lia: desde que a escola me obrigou. Mas agora leio-os porque quero, porque os procurei. E espanto-me. O “eu canto o ilustre peito Lusitano” não me parece a exaltação dum nacionalismo bolorento.

Hoje tive mais um sintoma. Comprei a biografia de Nuno Alvares. E estou ansioso por acabar Camões. E por saber mais do Condestável. Talvez o fundador do Portugal moderno. E assim: talvez o fundador do mundo moderno.

Que quererá isto dizer? Poderei ser português e estar tão interessado em Portugal? Será compatível? Afinal os portugueses andam tão zangados com Portugal. Afinal os portugueses parecem tão incapazes de fazer as pazes com Portugal.

É verdade que Portugal se põe a jeito. Primeiro faz-nos sonhar com uma grandeza; a de ontem. Depois só nos oferece pequenez; a de hoje. E nós destilamos tudo: destilamos em remorsos e destilamos em cada português achar que é melhor do que Portugal.

E agastados com tamanha contradição entre tamanha pequenez e tamanha grandeza: agarramo-nos à fatalidade europeia. Estamos na Europa sem amarmos a Europa. Estamos na Europa por fatais razões quantitativas. E estamos na Europa sem que a Europa esteja em nós. Porque esta Europa foi criada para resolver problemas que nunca foram problemas nossos: problemas com raízes que são históricas e com raízes que são geográficas. Problemas que começam no século VI. Problemas que vão de Espanha à Hungria. Enfim: problemas dos europeus Impérios continentais. Problemas dessa mesma Europa que tão metaforizada está na opção napoleónica: vender a Louisiana para combater no continente… sem falar nos cento e cinquenta anos que se seguiram.

Foi para resolver esta Europa-continente que a Europa-União surgiu.

Mas este é um palco que nunca foi palco nosso. Momentos da História houve em que nos forçaram a ser actores dessa tragédia. E sempre que tal nos aconteceu: afundamo-nos em armadas que se diziam invencíveis.

A verdade é que se fôssemos continentais: nós já não seriamos nós. Se fossemos continentais: teríamos sido um desses extintos reinos ibéricos: reinos que hoje mais não são do que uma entre muitas marcas heráldicas no escudo dos Bourbon.

Talvez seja essa a razão do nosso desconforto. Estamos desconfortáveis porque intuímos esta desadequação. Para um lado: aquilo que sentimos que somos. Para o outro lado: aquilo para onde estamos obrigados a caminhar.

Esforçamo-nos para tentar vestir esta pele que nos espartilha. E assim espartilhados: ficamos entre a realisticamente impossível dimensão dum passado que foi nosso e a realidade duma Europa criada para resolver problemas de outro passado: dum passado que não é nosso. Enfim: uma Europa criada para unir o que não fomos nós a desunir.

E espartilhados que estamos: o discurso fica desolador. Perdemos toda a nossa energia a tentar dimensão épica no comezinho: mais um ponto ou menos um ponto num deficit e Aquiles matou Heitor. A localização dum aeroporto e Ulisses fugiu à terrível Calipso. Um computador dito nacional e o herói chegou a Ítaca. Uma linha de comboio… E enfim: quando ficamos com uma terrível sensação de vazio: temos o recorrente debate: tão estéril quanto serôdio: a bendita regionalização. Ou então valemo-nos de algumas manobras de diversão: legalizamos ou não legalizamos o aborto? Legalizamos ou não legalizamos as drogas leves? Legalizamos ou não legalizamos o casamento homossexual? E assim andamos.

Acrescente-se uma mão cheia de estrangeirados de pendor anglo-saxónico. São estrangeirados como convém aos estrangeirados : uma minoria: uma elite que adora a sua pequena expressão quantitativa compensada por uma desproporcionada vénia institucional. Estes são os que gostam do exemplo irlandês. Os que acham que devíamos ter a Irlanda por modelo. Dizem benchmark em vez de exemplo e goals em vez de objectivos.

Eu tenho uma razão para não me apegar a estrangeirados. Num país em crise é muito fácil sair e depois chegar e depois debitar receitas. Claro que o problema é sempre o mesmo: as receitas dum doente aplicadas a outro: não funcionam. O pombalismo terminou na viradeira e a viradeira terminou em guerra civil. E depois da guerra civil tivemos o Portugal que já sabemos que temos. Devíamos aprender alguma coisa com o exemplo do nosso passado. Pelo menos mais do que com o celebrado modelo irlandês, ou benchmark.

Será que funciona começar hoje o que os outros fizeram ontem? Ou será que nos devemos desviar do caminho que outros já percorreram e lançarmo-nos à criação da nossa própria criatura?

Que criatura será essa?

Lanço um desafio: desafio o maior adepto desse Frankenstein chamado União a fazer duas viagens.

A primeira dessas viagens pode começar em Madrid e acabar na mais recôndita vila do Curdistão turco. E se digo o Curdistão turco é porque temos de ser realistas quanto ao que inevitavelmente irá acontecer na Europa-União. Claro que bastaria ficar pela Polónia, Hungria ou Roménia. Mas indo às ultimas consequências: vá-se até esse lugarejo do Curdistão turco.

E depois faça-se outra viagem. Comece-se em Cabo Verde e depois passe-se por Luanda e termine-se no mais recôndito lugarejo da Rondónia ou de Mato Grosso. Enfim: conheça-se a Atlântida. E eu chamo-lhe assim tão só para fazer uma distinção entre este Atlântico de língua portuguesa e o Atlântico ele mesmo.

E depois regresse-se. E esqueça-se os fantasmas do passado porque os fantasmas do passado deixam de ser fantasmas em democracia. E agora sim. Agora que já se regressou das duas viagens e agora que os fantasmas do passado são tão só do passado: reflicta-se.

Onde devíamos querer estar? Qual é a União por que devíamos estar trabalhar? O que é que faz mais sentido? E o que faz sentido em Lisboa não fará também sentido em Luanda e em Brasília?
E não é uma questão de não gostar dos outros: os europeus. Claro que gosto. No que me toca sou fascinado pela diferença. Mas só está preparado para admirar a diferença quem sabe quem é. E portanto é uma questão de sabermos quem somos. E sabendo quem somos: sabermos com quem somos aquilo que somos. E sabendo com quem somos aquilo que somos: de nos cumprirmos.

E eu confesso que há outra razão por que gosto de chamar Atlântida a este espaço. É porque talvez a Atlântida mais não tenha sido do que um sonho. E a mim agrada-me: dar o nome dum sonho a um sonho. Mas isto sou eu que sou diletante. Que não consigo viver sem a minha utopia.


Luís Novais

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais um caso. Desta vez na Bélgica.

Quando os pais e as mães se esquecem dos filhos nas traseiras dos automóveis. Quando os filhos ficam nesses automóveis até morrerem de desidratação. Quando isso acontece ao mesmo tempo que esses pais e essas mães estão a trabalhar. Quando isso acontece: não será altura de pararmos e de repensarmos a pressão a que estão a ser sujeitos os pais e as mães, nós?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Puta.

Ela acaba de abrir a porta de alumínio que dá entrada para o prédio. O prédio dorme. Está quase a acordar. Mas ainda não. Por agora ainda dorme. E ela já entrou no prédio e já ao prédio fechou a porta. Fechou-lha ela para que por si a porta se não fechasse: em estrondo que acordaria o prédio pouco antes de ser tempo do prédio acordar. E é por isso que o prédio continua a gozar os últimos instantes: em minutos de sono.

Agora que ao prédio fechou a porta: ela respira fundo: sente-se aliviada. É sempre assim que se sente todos os dias quando ao prédio fecha a porta: aliviada. E se o é: é tão só porque a partir daquela hora todas as horas são suas. Todas até à hora em que o prédio janta e vê as notícias e palita os dentes e depois das notícias vê a novela e antes ou depois da novela veste o pijama e depois de vestir o pijama vai dormir. E é esse o momento em que ela todos os dias sai do prédio. E quando todos os dias sai do prédio e fecha a porta para que a porta não se feche por si: ela respira fundo. É um respirar fundo igual ao respirar fundo de quando chega: mas apenas na aparência: a partir do momento em que fecha aquela porta e está na rua: a partir desse momento todas as horas deixam de ser suas. Passam a ser “horas da casa”. Horas contadas em meias horas e por vezes até em quartos de horas. Horas e meias e quartos de horas dos clientes.
Mas agora não. Agora ela está a chegar ao prédio e o prédio ainda dorme e as horas voltam a ser suas. É que ela acaba de fechar a porta do prédio. E a esta hora fecha-a consigo do lado de dentro. Fecha-a para que a porta não se feche por si mesma: em estrondo que acorde o prédio pouco antes de ser tempo do prédio acordar. Não é por preocupação com o prédio que ela não quer que o prédio acorde. Não! É tão só porque o tempo começa agora a contar para si: é seu: muito seu: inteiramente seu. E ela não quer que o prédio dê por ela: no tempo que é seu ela não quer que ninguém a tome por sua.

Sobe a escada. É em mármore branco com veios. Alguns dos veios já eram do mármore quando o mármore se fez mármore. Outros não: outros são veios do uso: do desgaste. E enquanto ela sobe: ela pensa nos seus próprios veios. Quais do seus veios já seriam seus quando ela foi feita ela? E quais já seriam seus quando ela se fez ela? E quais já seriam seus quando os outros a fizeram ela? É por esta ordem que ela põe as suas coisas quando olha para os veios dela, da escada.

E continua a subir a escada. Vai com os sapatos de salto numa mão. Vai com a carteira de dourados esbatidos na outra mão. E continua a subir a escada. Até nem são muitos, os degraus que ela tem de subir. Mas a partir do momento em que fecha a porta do prédio: os pensamentos de si para si são tantos: são tão velozes: tantos e tão velozes que criam a ilusão de serem muitos, os degraus que ela tem de subir. Mas não: não são. São bem poucos, até.

Na verdade ela só conhece aquelas escadas de as subir. Descer desce sempre pelo elevador. O prédio está quase a ir dormir quando ela desce. Mas ainda não dorme. E por isso ela desce pelo elevador: não se importa com o barulho que o elevador faz. E há sempre quem saia do prédio à mesma hora que ela. O que nunca há é quem chegue quando ela chega. E é por isso que subir sobe-se pelas escadas puídas e descer desce-se pelo elevador, pelo menos para ela é assim.

Já subiu. Está frente à porta do apartamento a que chama seu. É desenvernizada, a porta. E tem lustro: mas apenas em volta da fechadura e do puxador. O puxador goza da mesma duplicidade: tem verdete no mais recôndito de si e lustro no mais palpável. Talvez uma duplicidade universal. E o prédio dorme: continua a dormir.

Ela. Ela mete a chave na porta: enfia-a com suavidade: como ela acha que a porta gostaria de ser enfiada. E o prédio dorme. E ela roda a chave: a mesma suavidade com que a enfiou. E o prédio dorme. E a porta abre-se a ela: lentamente: está bem oleada. E o prédio dorme e ela entra na casa a que chama sua.

Já está dentro da casa a que chama sua, ela. E caminha nas pontas dos pés: o prédio ainda dorme. E ela suspira. Despe-se. É frente ao espelho que se despe. Gosta de se ver. Não se despe para ninguém como se despe para si. É que aquelas horas são suas.

Já se despiu. Não se lava: nem de corpo e nem de dentes. Fá-lo sempre na “Casa”: antes de sair. É que a partir do momento em que deixa a “Casa” o tempo passa a contar para si. E ela acha que deve deixar a porcaria do tempo que é o tempo dos outros na “Casa” que é a casa dos outros. Não quer transportar essa porcaria para o tempo que é o seu tempo. Muito menos para a casa que é a sua casa, ou a que chama a sua casa.

Já está nua. Está de costas deitada na cama e está nua. Vê a lâmpada no tecto: a lâmpada no tecto está nua como ela. Olha para o lado: o espelho do armário: o espelho mostra ela a ela: nua. E enquanto se vê nua: enumera: enumera quantos prazeres iludiu nessa noite. E enquanto os enumera: continua deitada e nua e livre neste tempo que é o seu. E como está livre: sente-se, livre. As mãos que estavam estendidas no extremos dos braços estendidos para lá da cabeça: começam a vir até si. Uma dessas mãos queda-se na boca, um dedo: apenas um dedo. A outra não: a outra percorre-a descendo e descendo. E pára: o bico grosso duma mama: afaga-o. Engrossa mais. E conforme engrossa o bico: levanta-se-lhe a anca: destaca-se-lhe a púbis no espelho: no espelho do armário. E é até lá que no espelho ela se vê ir: com a mão a cobrir essa púbis que agora se não vê e os dedos que são seus afogados no que é seu. Está toda ela concentrada em si: pleno gozo do tempo que é seu. E estremece. Estremece de corpo todo. Apetece-lhe gritar. Não grita. O prédio ainda dorme e aquele grito seria um grito verdadeiro e como seria um grito verdadeiro é um grito só seu: só seu, só para si. E é por isso que gritado é: mas gritado dela para ela.

Apaga a luz. E fecha os olhos. E dorme. Dorme consigo. Goza. Goza daquele tempo que é seu. E o prédio acorda. E usa o elevador. E deixa a porta bater.
Agora que acordou: o prédio não se importa que ela durma. E ela também não.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Húmus

Quando tudo o que queremos
do morrer que será nosso:
é que esse nosso morrer seja
morte morrida sem doer:

Esquecemos, talvez. Esquecemos,
que morrer morre-se,
que viver vive-se.
E que de tanto à dor do morrer fugir,
a dor do viver não iludimos.

Quando tudo o que queremos
do morrer que será nosso:
é fugir desse medo,
desse medo d’em húmus finar:

Esquecemos, talvez. Esquecemos,
que de tanto a morte matarmos
a vida, essa não a vivemos.

Nostalgia do absoluto.

São dois, os partos nossos.
Esses em que nascemos
daquilo que nos precede.
E em que daquilo que nos precede:
somos naquilo que é procedido.

E são dois, esses partos.
Um em que da carne que precede
fazemo-nos carne que a procede.
E gente somos. E gente nascemos.

E são dois, nossos partos.
Outro em que da gente que somos:
usamos a carne que precede.
E da carne que precede:
fazemos o “eu” que a procede.
E pessoa somos. E pessoa nascemos.

Quereria que fossem três, os partos.
Um de gente que nos precede.
E um de pessoa que somos.
E um Daquilo que precede o que procede:
precede tudo o que é,
precede tudo o que não é.
Quereria. Quereria.

domingo, 14 de junho de 2009

Irão e Razão e Emoção.

Tenho falado com alguns iranianos na Europa. Nenhum deles é conservador. Nenhum deles apoia Ahmedinejad.

Se queremos perceber o que se passa no Irão: temos de fechar os nossos olhos ocidentais. Temos de tentar perceber os acontecimentos sob o ponto de vista do outro. E há um aspecto em que nós ocidentais somos como todos os outros, por muito que ainda achemos que não: somos muito emotivos e pouco racionais.

M. é um iraniano que bebe cerveja e que come a carne proibida e que se afirma muçulmano de tradição mas não de prática. Uma atitude bem europeia, portanto. Está a fazer um doutoramento na Europa. É apoiante de Musavi. Quando lhe perguntei o que acha do negacionismo de Ahmedinejad: respondeu-me de imediato que não concorda com o presidente. Mas pensa que qualquer pessoa deve ter o direito de negar a dimensão do holocausto. “Eu não nego o holocausto. Acho mesmo que é uma tremenda ignorância histórica fazê-lo”, diz. “ Mas por que é que a Europa acusa o Irão de falta de liberdade de expressão e em grande parte dos países europeus prendem quem negar o holocausto?” Touché.

A grandeza de outrora e que foi a do Império Persa brilha nos olhos de todos os iranianos com quem falo. E essa é a promessa que Ahmedinejad tem feito: uma afirmação internacional de posições nacionais. Nenhum iraniano me parece imune a este apelo que vem do seu inconsciente histórico. E a promessa de transformar o Irão numa potência nuclear é só uma delas. A outra é conseguir ter todo o mundo contra. É muito soberano: ter o mundo quase todo contra. Poucos impérios se podem dar ao luxo de ter um “outro relevante” com essa dimensão. E por muito que a razão aponte outras vias: há sempre o apelo emocional.

Ainda ontem estive num grupo onde M. estava. A talhe de foice falamos de Portugal. E falamos da nossa presença no Oriente e nomeadamente no seu país. E ele nomeou Ormuz. E foi impossível não vislumbrar um brilho nos olhos de todos os portugueses que participavam da conversa. M. não interferiu nesse brilho dos olhos portugueses: mas tento perceber qual seria a reacção do grupo se M. tivesse sido menos diplomático: se tivesse falado da nossa expansão como quem fala dum crime. E se assim tivesse sido: não duvido nem um instante: os argumentos que nos foram ensinados em décadas de propaganda historiográfica surgiriam à flor da pele. E lá estaríamos todos a apresentar a M. a clássica argumentação do Império benigno.

Ainda assim e mesmo sem a provocação de M.: lá se foi falando do Império. E alguns acusando a Inglaterra de nos ter traído. E outros acusando a Espanha. E nenhum pondo em causa a legitimidade própria do império.

É que nós somos como todos os outros: muito emotivos e pouco racionais. E eu dou comigo a pensar como seriamos hoje. Como seriamos hoje se tivéssemos as segundas maiores reservas mundiais de petróleo e gás natural? E se tivéssemos a Espanha e o Reino Unido e muitos outros dependentes da nossa produção? Acredito que muitas humilhações históricas que agora são apenas murmuradas ribombariam nos nossos ouvidos. Que muitos ultimatos seriam recordados. Que muitos políticos explorariam esses amargos de boca. E que provavelmente ganhariam eleições, esses políticos.

Queiramos ou não (e eu não queria) o discurso de Ahmedinejad tem muito eco nos iranianos. Independentemente de Ahmedinejad ter sido o escolhido de 63% dos iranianos ou de 45%.

E talvez em todo o Ocidente nós portugueses sejamos dos mais habilitados a perceber o que se passa no Irão. Nós e talvez os austríacos. Por razão da emoção.