sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Moinho e Vento

Moinho e Vento

Que dor é esta, amor.
Dor é de lembrar,
dor de esquecer
o que lembrado é.

Sei-te quem sejas, amor.
Quem sou não sei.
Só sei de mim em ti.
Só de ti em mim sei.

S' em ti busc' o que sou.
Em mim sabes qu' és.
De nós brotou mim ti.

Se mim em ti porquê?
Se fruto nosso.
Querido fruto.
Amada tu.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Remédios.

Mataram-me.
De parto brotei,
d’escola morri:
cidadão me fizeram.

Perguntaram-me?
Não. Quiseram fizeram.
E mataram-me.

Não me quis sabedor.
Sabedor me tornaram.
Só e só queria sentir.

Mas comigo não!

Quero meu parto.
Quer’a nascer voltar.
Quer’ ignorar e sentir.
Quer’ à escola fugir.

Morra bem mort’ o saber.
Saber qu’ocup’ o que sou.
Saber falso e não sentido,
não sentid’e sem sentido.

Mataram-me.
Remédios haverá?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Creio em ciência teorias e lei

Creio em ciência, teoria lei:
Particular geral
diverso d’ uno.
Ensinaram-mo: “crê” e eu creio

Creio bem sabendo:
crendo-‘a mato.
Matá-la quero:
crer preciso.

Gent’à lei sumetemos,
crença velha renovamos:
Destino

Feridos de ciência que’stamos,
do destino descremos.
Mago destino: liberdade compra.
Mago destino: com inocênci’a paga.

Quem d’inocente se troca livre?
Antes sem culpa qu’arbitrar.
Roubaram-no: só culpa ficou

Eu não qu’eu creio na ciência,
porque crendo por crenç’a mato.
Porque suas leis rezando (teorias),
fado qu’é meu alcanço.

Assim sem da fé sofrer Auto,
à “santa” sem ofens’a matar.
Nessa lei que geral dizem,
inocência minha destilar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Corrompidos Restos

Antigamente eram os construtores os que tinham fama de corromper. Corromper é sempre corromper. Mas sempre era um corromper para construir.

Agora são os sucateiros. Já nem para construir se corrompe. Corrompe-se tão só para levar os corrompidos restos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Inexistêncial.

Tantos são que dizem
qu’esse que digo outro,
visão é de não mim
por existencial de mim,

que para mim olho
e de mim me temo
que mim afogue mim.

Mim serei eu; sou!
Mas mim será outro?
Então que mim serei,
s’outro se faz mim?

De mim quero ser Ser,
que mim não será,
quem si Ser quer também.

E sendo mim Ser.
E Ser sendo si.
Mim é si por Ser.
E si por Ser é mim.

Filosofal Pedra

Do tanto muito que penso,
tod’a sua origem ignoro.
Origem de pensamento “eu”,
ou pensar q’a mim cria?

Vej’o Mundo vendo-me
e vendo-me par’o ter:
por cosmos troco mim:
cego me vejo par’o ver.

Acontece quando cego sou:
idei’acontece: idei’apenas.
cegueira? Sombra sem limite.

E é então que sorrio; descanso.
Podend’a pedra ser filosofal (ela),
pod’a filosofia ser pedra (eu)

domingo, 1 de novembro de 2009

A Voz

Quand’em fundo silêncio,
vinda do longe ouço
voz forte que fala
e ordenante m’ordena.

Não sei que voz seja:
Se voz minha feita mim,
s’alheia voz, feita de quê?

Sei q’a ouço, isso sei.
Sei q’ordena, isso sei
Sei o quê, sei também.

Em sua força me diz: “Vive!”
E eu não sei o que seja:
Se voz da q’é natural,
se precedente imaterial