Às vezes decido
em fruto pensado.
Pensamento maduro
de razão atestado.
À vezes decido;
fruto imediato.
Pensment’imaturo;
intuir absoluto.
Sempre m’arrependo
desse tempo gasto:
pensamento maturar.
Pouco m’arrependo,
dessa força viva:
agir sem pensar.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Silêncio
O Ser é.
Não ser não é.
Ideia formal
e sem questão.
Poderá Ser não ser,
sem deixar de ser
o ser que é?
Não ser será,
sem assim passar
a ser que não é?
Oiço teu silêncio.
Ouvindo-o penso:
Poderá tudo dizer?
Falar silêncio ser?
Não ser não é.
Ideia formal
e sem questão.
Poderá Ser não ser,
sem deixar de ser
o ser que é?
Não ser será,
sem assim passar
a ser que não é?
Oiço teu silêncio.
Ouvindo-o penso:
Poderá tudo dizer?
Falar silêncio ser?
sábado, 30 de janeiro de 2010
Gaivota em Brisa.
Desse Colibri asas
às asas qu'a elevam.
Se Vento desse brisa,
à sôfrega de tudo ver.
Colibri gaivota seria,
a seu rochedo largar,
planando a descobrir:
mundo não é vontade (querer).
Deslumbramento mund’é (crer).
Deslumbrada gaivota, tu.
Deslumbrad'essa brisa, eu.
esteira o mar a ser,
lençol de céu a cobrir:
gaivota e a brisa,
deslumbramentos plenos.
Colibri Gaivota será.
Brisa o vento também.
Gaivota qu’é tem de ser.
Morr'o vento: viv'a brisa.
Tudo acontecerá,
tendo não acontecido.
já escrito estava,
o q'aqui escrito está (destino)
às asas qu'a elevam.
Se Vento desse brisa,
à sôfrega de tudo ver.
Colibri gaivota seria,
a seu rochedo largar,
planando a descobrir:
mundo não é vontade (querer).
Deslumbramento mund’é (crer).
Deslumbrada gaivota, tu.
Deslumbrad'essa brisa, eu.
esteira o mar a ser,
lençol de céu a cobrir:
gaivota e a brisa,
deslumbramentos plenos.
Colibri Gaivota será.
Brisa o vento também.
Gaivota qu’é tem de ser.
Morr'o vento: viv'a brisa.
Tudo acontecerá,
tendo não acontecido.
já escrito estava,
o q'aqui escrito está (destino)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Moinh'e vent'II
Um dia era noite.
Do dia que dia fora,
noite noite se pôs.
E dia noite ficou.
Cego de noite
e cego de mim:
não te vi.
Em vão errei
Foi noite cerrada.
Dias com dias de noite.
Tantos que nem sei.
E se por essa noit’errei:
não ignoro porquê:
sei que soube q’um dia
noite dia seria.
Errei.
E de tão errante:
acertei.
E uma noit'era dia.
Um dia era noite.
Do dia que dia fora,
noite noite se pôs.
E dia noite ficou.
Cego de noite
e cego de mim:
não te vi.
Em vão errei
Foi noite cerrada.
Dias com dias de noite.
Tantos que nem sei.
E se por essa noit’errei:
não ignoro porquê:
sei que soube q’um dia
noite dia seria.
Errei.
E de tão errante:
acertei.
E uma noit'era dia.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Vivo presente não vivo futuro
Vivo presente não vivo futuro.
Ontem nasci: mo disseram.
Disso testemunha não sou.
Certo de q’ hoje vivo,
do mim d'ontem não sei.
Poderia amanhã nascer,
sem hoje viver?
S’amanhã nascerei,
testemunho não tenho,
nem meu nem d’alguém
Disseram-mo: ontem nasci.
E s'ontem hoje não foi:
hoje e só hoje é que vivo.
Mas d’hoje não gosto
e d’ontem já foi.
E ninguém que me deixe
amanhã nascer,
porque s’o peço
hoj'é q'o faço.
Ontem já foi.
Amanhã não é.
Vivo presente.
Não vivo futuro (dizem-me).
E eu? Serei?
Viverei?
Copacabana, 2009-12-12
Ontem nasci: mo disseram.
Disso testemunha não sou.
Certo de q’ hoje vivo,
do mim d'ontem não sei.
Poderia amanhã nascer,
sem hoje viver?
S’amanhã nascerei,
testemunho não tenho,
nem meu nem d’alguém
Disseram-mo: ontem nasci.
E s'ontem hoje não foi:
hoje e só hoje é que vivo.
Mas d’hoje não gosto
e d’ontem já foi.
E ninguém que me deixe
amanhã nascer,
porque s’o peço
hoj'é q'o faço.
Ontem já foi.
Amanhã não é.
Vivo presente.
Não vivo futuro (dizem-me).
E eu? Serei?
Viverei?
Copacabana, 2009-12-12
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Baralhada Ordem.
Baralhada Ordem.
Grave ruído.
Contínuo ruído.
Trem’a terra.
Terrível tremor.
Ou canto d’entranha.
Terra que canta
cantando mostra.
Espantado ruído.
Qual seja?
Pássaros qu’ouvem
ruído de terra,
de terra que treme,
que tremendo canta.
Ruído de espanto.
Fogem caça
e caçador.
Deslizante ruído.
Mudo quase.
Nervoso deslize.
Que deslize?
De serpente,
que ross’a terra
e a pressente.
Qu’a ouve sem ouvir.
Desliz’a serpente
e seu encantador.
Brutal ruído.
Esmagador.
De que brutal?
Que esmaga?
Esmaga terr’e gente.
Esmag’a serpente.
Sem ouvir ouviu.
E d’ouvir agiu:
maremoto.
Terra que ruge.
Pássaro qu’ouve.
Serpente que sente.
Gente que pensa.
Mar que reage.
Alguns ouvindo,
outros sentindo,
alguns reagindo.
Esse grave ruído.
Contínuo ruído
de terra que treme.
Estranh’união
à terra que treme.
Destruição ou criação?
ser ou Ser?
Gota ou mar?
Infern’ou paraíso?
Nada absurdo
no grave ruído,
na terra que treme.
Destruind’constroi.
Baralhando ordena.
Ruído de terra.
De terra que treme.
Absurdo: nada.
Quand’à terra tornar
e o grave ruído
nada absurdo
de mim e si
ruído for.
Grave ruído.
Contínuo ruído.
Trem’a terra.
Terrível tremor.
Ou canto d’entranha.
Terra que canta
cantando mostra.
Espantado ruído.
Qual seja?
Pássaros qu’ouvem
ruído de terra,
de terra que treme,
que tremendo canta.
Ruído de espanto.
Fogem caça
e caçador.
Deslizante ruído.
Mudo quase.
Nervoso deslize.
Que deslize?
De serpente,
que ross’a terra
e a pressente.
Qu’a ouve sem ouvir.
Desliz’a serpente
e seu encantador.
Brutal ruído.
Esmagador.
De que brutal?
Que esmaga?
Esmaga terr’e gente.
Esmag’a serpente.
Sem ouvir ouviu.
E d’ouvir agiu:
maremoto.
Terra que ruge.
Pássaro qu’ouve.
Serpente que sente.
Gente que pensa.
Mar que reage.
Alguns ouvindo,
outros sentindo,
alguns reagindo.
Esse grave ruído.
Contínuo ruído
de terra que treme.
Estranh’união
à terra que treme.
Destruição ou criação?
ser ou Ser?
Gota ou mar?
Infern’ou paraíso?
Nada absurdo
no grave ruído,
na terra que treme.
Destruind’constroi.
Baralhando ordena.
Ruído de terra.
De terra que treme.
Absurdo: nada.
Quand’à terra tornar
e o grave ruído
nada absurdo
de mim e si
ruído for.
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