Que são os dias?
São seus sonhos.
Que é o tempo?
É daquilo que vemos
tudo que guardamos.
Seja real,
seja aparente.
Mas sempre sonhado.
Mas sempr’o que vemos.
Nome tem agora
cada dia de meu tempo.
Que sonho e vejo,
que vejo e guardo,
o que te sonho,
o que te vejo.
Ilusão e real.
Verdade sempre:
porque sempr’a sonhar-te
Porque sempre a ter-te.
Queira ou não queira.
Eu.
Procure ou fuja
De ti
Todo tempo qu’é meu
Tempo é de nome teu.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Fazermo-nos. Existir.
Busco-me.
Não encontro.
Sigo sendo
esse alguém
dentro d’algo:
eu?
O quê?
(Trevas, nevoeiro.)
Sempre e sempre
seguindo e sendo:
esse eu;
que me pedem,
que m’exigem,
que não sei afinal.
(Escuridão maldita.)
E um dia,
de tanto caminhar,
por montes caminhar,
à chuva caminhar…
Ai nesse dia.
Nesse dia:
vejo-te.
Procuravas-te.
Encontro-te.
vês-te
És.
Sou.
Tu.
Eu.
E a ti logo me dei;
e tu deste-me mim.
E a mim tu te deste;
e eu dei-te ti.
Agora sabemos,
tu e eu.
Sei quem sou
sabendo quem és.
Sabes que és
sabendo que sou.
Não encontro.
Sigo sendo
esse alguém
dentro d’algo:
eu?
O quê?
(Trevas, nevoeiro.)
Sempre e sempre
seguindo e sendo:
esse eu;
que me pedem,
que m’exigem,
que não sei afinal.
(Escuridão maldita.)
E um dia,
de tanto caminhar,
por montes caminhar,
à chuva caminhar…
Ai nesse dia.
Nesse dia:
vejo-te.
Procuravas-te.
Encontro-te.
vês-te
És.
Sou.
Tu.
Eu.
E a ti logo me dei;
e tu deste-me mim.
E a mim tu te deste;
e eu dei-te ti.
Agora sabemos,
tu e eu.
Sei quem sou
sabendo quem és.
Sabes que és
sabendo que sou.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Mãos que se abrem acontecem.
Poderá
Definir-se
tempo e Ser?
Um instante:
o tempo.
Felicidade:
o ser.
Assim tal:
Ser sendo
nessa linha
que do tempo
é linha?
E por que não?
Se punhos
fechados
em mãos
abertas
se tornam.
Mãos tuas
se abrem.
Mãos minhas
também.
Aí.
Deixa-te.
Ai, aí.
Aí acontece.
Aí:
te acolho eu
Aí:
me acolhes tu.
Eterno, o tempo.
Ternos, eu tu.
E Ser sermos nós
Definir-se
tempo e Ser?
Um instante:
o tempo.
Felicidade:
o ser.
Assim tal:
Ser sendo
nessa linha
que do tempo
é linha?
E por que não?
Se punhos
fechados
em mãos
abertas
se tornam.
Mãos tuas
se abrem.
Mãos minhas
também.
Aí.
Deixa-te.
Ai, aí.
Aí acontece.
Aí:
te acolho eu
Aí:
me acolhes tu.
Eterno, o tempo.
Ternos, eu tu.
E Ser sermos nós
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Rosa em malmequer
Fosse rosa
malmequer
bemequerer.
Amor:
liberdade
ir
regressar
regressar
sem ir.
Voltaria
livre fosse,
livre não sou.
Não ficaste:
tu.
Não parti:
eu.
malmequer
bemequerer.
Amor:
liberdade
ir
regressar
regressar
sem ir.
Voltaria
livre fosse,
livre não sou.
Não ficaste:
tu.
Não parti:
eu.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Eu mar, areia tu.
Em ondas s’agitam,
mares se combatem,
marés se confrontam.
Calipsos, Polifemos;
de sereias canto seu,
titãs s’enfrentam.
Rude mar, rude mar.
Lutar lutar lutar.
E de tanto e tanto,
navegar navegar:
ao destino enfim;
praia onde s’espraia
e de si se faz teu.
De guerra eles foram,
d’amor já gritos são.
Suave que se vai,
suave que se vem.
Já da raiva espuma fez,
e já n’areia a serenar.
Doce areia doce:
tu.
Suave mar suave:
eu.

(Imagem: "Batalla en las nubes", Salvador Dali, 1974)
mares se combatem,
marés se confrontam.
Calipsos, Polifemos;
de sereias canto seu,
titãs s’enfrentam.
Rude mar, rude mar.
Lutar lutar lutar.
E de tanto e tanto,
navegar navegar:
ao destino enfim;
praia onde s’espraia
e de si se faz teu.
De guerra eles foram,
d’amor já gritos são.
Suave que se vai,
suave que se vem.
Já da raiva espuma fez,
e já n’areia a serenar.
Doce areia doce:
tu.
Suave mar suave:
eu.

(Imagem: "Batalla en las nubes", Salvador Dali, 1974)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Céu em espaço e tempo.
Olho
em volta;
julgo
ver.
Volto
a olhar:
não.
Penso
em torno;
julgo
saber.
Volto
a pensar:
não.
Penso
e vejo.
Dispenso
invejo
o que penso
ver,
o que penso
saber.
Vejo.
Penso.
Penso ver
tudo.
Vejo
nada.
Tudo
é nada,
nada é tudo.
Se vejo,
se penso,
s’o que vejo,
s’o que penso,
vejo
e penso
com tudo:
e sem ti,
contudo.
Diz-me:
onde
fica.
Diz-me:
quando
é.
O espaço,
o tempo,
o céu:
tu.
em volta;
julgo
ver.
Volto
a olhar:
não.
Penso
em torno;
julgo
saber.
Volto
a pensar:
não.
Penso
e vejo.
Dispenso
invejo
o que penso
ver,
o que penso
saber.
Vejo.
Penso.
Penso ver
tudo.
Vejo
nada.
Tudo
é nada,
nada é tudo.
Se vejo,
se penso,
s’o que vejo,
s’o que penso,
vejo
e penso
com tudo:
e sem ti,
contudo.
Diz-me:
onde
fica.
Diz-me:
quando
é.
O espaço,
o tempo,
o céu:
tu.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
D.
A primeira estrofe é do poeta Luís Ene. Uma amiga ma apresentou. E sem querer dei por mim a continuá-la. Levado por onde imaginação e desejo levaram. Foi estranha, a sensação que tive no fim. Estou habituado a escrever de mim para outras pessoas. Estou habituado a escrever para mim. Nunca escrevera como se escrevesse de outra pessoa para mim.
Obrigado ao Luís Ene que me autorizou tal abuso: começar a minha escrita a partir da sua. Assim me disse: “esteja à vontade, a poesia nunca precisa de autorização para acontecer.”
D.
“Despe-me
ou deixa que eu me dispa
e depois
veste-me
pouco a pouco de carícias.”
***
Olha-me.
Em meu corpo tu me vês
em olhos
vestindo
sofrimento que escondo.
Viste-o.
Ess’eu qu’eu tanto oculto.
Despe-te:
agora.
Pouco a pouco te vestirei.
Agora,
que já despido eu te hei:
visto-te.
Vestes-me:
tu, o que despida me hás.
E aí,
no toque de tua pele:
sinto-me.
Sentes-te:
em toque de pele minha.
E sou!
Porque minha a pele tua:
faço-me.
Fazes-te:
porque já minha tua é.
Obrigado ao Luís Ene que me autorizou tal abuso: começar a minha escrita a partir da sua. Assim me disse: “esteja à vontade, a poesia nunca precisa de autorização para acontecer.”
D.
“Despe-me
ou deixa que eu me dispa
e depois
veste-me
pouco a pouco de carícias.”
***
Olha-me.
Em meu corpo tu me vês
em olhos
vestindo
sofrimento que escondo.
Viste-o.
Ess’eu qu’eu tanto oculto.
Despe-te:
agora.
Pouco a pouco te vestirei.
Agora,
que já despido eu te hei:
visto-te.
Vestes-me:
tu, o que despida me hás.
E aí,
no toque de tua pele:
sinto-me.
Sentes-te:
em toque de pele minha.
E sou!
Porque minha a pele tua:
faço-me.
Fazes-te:
porque já minha tua é.
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