Em fragmentos
busc’o qu’ és.
Tod’os fragmentos teus.
Todo tempo teu:
desfragmento.
E livre do tempo vejo:
Tu.
Nada é que não é
nesse espaço,
nesse tempo,
nesse todo teu.
Tudo tu és
neste espaço,
neste tempo.
Em parte tua:
eu
Nada: não tu.
Tudo: em ti.
domingo, 5 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Morrerei ontem
Onde e quando
sou afinal?
Aqui agora sou.
Ali ontem estive.
Seria tudo, ontem.
Sou nada, hoje.
Voaria, ontem.
Rastejo hoje.
Sempr’a olhar
céu que brilha.
Mil voos imaginar.
Vivo d’ontem,
morro d’hoje.
Sonho amanhãs.
que serão hoje.
Que todos se fodam.
Morrerei amanhã, hoje.
Morrerei ontem, amanhã.
Mas morrerei.
Que se fodam todos.
Que se foda eu.
sou afinal?
Aqui agora sou.
Ali ontem estive.
Seria tudo, ontem.
Sou nada, hoje.
Voaria, ontem.
Rastejo hoje.
Sempr’a olhar
céu que brilha.
Mil voos imaginar.
Vivo d’ontem,
morro d’hoje.
Sonho amanhãs.
que serão hoje.
Que todos se fodam.
Morrerei amanhã, hoje.
Morrerei ontem, amanhã.
Mas morrerei.
Que se fodam todos.
Que se foda eu.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Sorriso que eu sei.
Eu sei.
Eles não sabem,
eu sei.
Este sorriso meu,
sorriso chorado
que eu sei
que não sabeis.
Nele m’escondo:
finjo-me’esse mim.
Doce sorriso falso.
Tu m’aconchegas.
Suplantas-m’a dor.
Triste sorris’alegre,
que eu sei triste,
que sabeis alegre.
Porqu’eu escondo
o que d’eu sei
em sorrindo
ao que de mim sabeis
Eles não sabem,
eu sei.
Este sorriso meu,
sorriso chorado
que eu sei
que não sabeis.
Nele m’escondo:
finjo-me’esse mim.
Doce sorriso falso.
Tu m’aconchegas.
Suplantas-m’a dor.
Triste sorris’alegre,
que eu sei triste,
que sabeis alegre.
Porqu’eu escondo
o que d’eu sei
em sorrindo
ao que de mim sabeis
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Todos meus dias: dias tu.
Que são os dias?
São seus sonhos.
Que é o tempo?
É daquilo que vemos
tudo que guardamos.
Seja real,
seja aparente.
Mas sempre sonhado.
Mas sempr’o que vemos.
Nome tem agora
cada dia de meu tempo.
Que sonho e vejo,
que vejo e guardo,
o que te sonho,
o que te vejo.
Ilusão e real.
Verdade sempre:
porque sempr’a sonhar-te
Porque sempre a ter-te.
Queira ou não queira.
Eu.
Procure ou fuja
De ti
Todo tempo qu’é meu
Tempo é de nome teu.
São seus sonhos.
Que é o tempo?
É daquilo que vemos
tudo que guardamos.
Seja real,
seja aparente.
Mas sempre sonhado.
Mas sempr’o que vemos.
Nome tem agora
cada dia de meu tempo.
Que sonho e vejo,
que vejo e guardo,
o que te sonho,
o que te vejo.
Ilusão e real.
Verdade sempre:
porque sempr’a sonhar-te
Porque sempre a ter-te.
Queira ou não queira.
Eu.
Procure ou fuja
De ti
Todo tempo qu’é meu
Tempo é de nome teu.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Fazermo-nos. Existir.
Busco-me.
Não encontro.
Sigo sendo
esse alguém
dentro d’algo:
eu?
O quê?
(Trevas, nevoeiro.)
Sempre e sempre
seguindo e sendo:
esse eu;
que me pedem,
que m’exigem,
que não sei afinal.
(Escuridão maldita.)
E um dia,
de tanto caminhar,
por montes caminhar,
à chuva caminhar…
Ai nesse dia.
Nesse dia:
vejo-te.
Procuravas-te.
Encontro-te.
vês-te
És.
Sou.
Tu.
Eu.
E a ti logo me dei;
e tu deste-me mim.
E a mim tu te deste;
e eu dei-te ti.
Agora sabemos,
tu e eu.
Sei quem sou
sabendo quem és.
Sabes que és
sabendo que sou.
Não encontro.
Sigo sendo
esse alguém
dentro d’algo:
eu?
O quê?
(Trevas, nevoeiro.)
Sempre e sempre
seguindo e sendo:
esse eu;
que me pedem,
que m’exigem,
que não sei afinal.
(Escuridão maldita.)
E um dia,
de tanto caminhar,
por montes caminhar,
à chuva caminhar…
Ai nesse dia.
Nesse dia:
vejo-te.
Procuravas-te.
Encontro-te.
vês-te
És.
Sou.
Tu.
Eu.
E a ti logo me dei;
e tu deste-me mim.
E a mim tu te deste;
e eu dei-te ti.
Agora sabemos,
tu e eu.
Sei quem sou
sabendo quem és.
Sabes que és
sabendo que sou.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Mãos que se abrem acontecem.
Poderá
Definir-se
tempo e Ser?
Um instante:
o tempo.
Felicidade:
o ser.
Assim tal:
Ser sendo
nessa linha
que do tempo
é linha?
E por que não?
Se punhos
fechados
em mãos
abertas
se tornam.
Mãos tuas
se abrem.
Mãos minhas
também.
Aí.
Deixa-te.
Ai, aí.
Aí acontece.
Aí:
te acolho eu
Aí:
me acolhes tu.
Eterno, o tempo.
Ternos, eu tu.
E Ser sermos nós
Definir-se
tempo e Ser?
Um instante:
o tempo.
Felicidade:
o ser.
Assim tal:
Ser sendo
nessa linha
que do tempo
é linha?
E por que não?
Se punhos
fechados
em mãos
abertas
se tornam.
Mãos tuas
se abrem.
Mãos minhas
também.
Aí.
Deixa-te.
Ai, aí.
Aí acontece.
Aí:
te acolho eu
Aí:
me acolhes tu.
Eterno, o tempo.
Ternos, eu tu.
E Ser sermos nós
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Rosa em malmequer
Fosse rosa
malmequer
bemequerer.
Amor:
liberdade
ir
regressar
regressar
sem ir.
Voltaria
livre fosse,
livre não sou.
Não ficaste:
tu.
Não parti:
eu.
malmequer
bemequerer.
Amor:
liberdade
ir
regressar
regressar
sem ir.
Voltaria
livre fosse,
livre não sou.
Não ficaste:
tu.
Não parti:
eu.
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