"GUERRILHEIROS E NARCOTRAFICANTES DE BRAÇOS DADOS"
Guerrilha e narcotráfico nos vales dos rios Apurimac e Ene (selva alta do Peru).
A minha reportagem in loquo saiu no EXPRESSO deste Sábado (29.12)
domingo, 30 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
VOANDO SOBRE UM NINHO DE COCA
São 59, os portugueses
que estão presos no Peru. Correios de droga, apanhados nas malhas dum
narcotráfico em que são o elo mais fraco. A minha reportagem sobre as suas
histórias de vida, na Revista do Expresso deste Sábado, 8 de dezembro.
Com o recrudescimento da crise, espera-se que estes
números aumentem. Normalmente, são recrutados entre jovens com trabalhos
precários e desempregados, dois perfis que estão em crescimento, como se sabe.
Viajam em situação
precária, ficam 3 a 4 dias no Peru e no último dia têm de ligar para um número
de telefone. Entregam-lhes 3-4 kg. em fundos falsos de malas ou fazem-nos a
engolir cápsulas e daí vão diretos para o aeroporto... ou para a prisão, em
muitos casos.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Da Antroplogia à Ideologia
Recentemente, Luis Alves de Fraga, um pensador português que admiro e
costumo acompanhar nas redes sociais, lançou no Facebook o desafio da busca de
novos modelos económicos, capazes de darem as respostas que as ideologias do Sec.
XIX já não estarão a conseguir.
Não me vou alongar na referência à sua intervenção, porque ela pode ser lida aqui. Basicamente, segundo Alves de Fraga, a seguirmos o pensamento oitocentista
com a respetiva concretização novecentista, restar-nos-ia optar entre dois
modelos económicos: de mercado, um, planificado, o outro. O repto era este: são
necessários novos pensadores que formulem novas teorias e novas doutrinas.
Participei do repto, com um artigo que escrevi há tempos, onde defendia que os centripetismos cultural e cronológico nos impedem de encontrar respostas onde elas já tinham existido (ver artigo). A resposta que Alves da Fraga me deu, também pode ser lida no mesmo local e resumo-a nesta frase: a minha visão apontaria “para a revisitação de velhos métodos de sobrevivência que tiveram uma época e foram fruto dela”.
Participei do repto, com um artigo que escrevi há tempos, onde defendia que os centripetismos cultural e cronológico nos impedem de encontrar respostas onde elas já tinham existido (ver artigo). A resposta que Alves da Fraga me deu, também pode ser lida no mesmo local e resumo-a nesta frase: a minha visão apontaria “para a revisitação de velhos métodos de sobrevivência que tiveram uma época e foram fruto dela”.
A minha questão é, no entanto, precedente: a preocupação com a teoria e a doutrina, não será
ela mesma oitocentista? Não apontará também para a revisitação de velhos
métodos? Não será essa ideia, incubada nas luzes, de que podemos refundar o
mundo com base na racionalidade, a base da utopia iluminista em que ainda
estamos a viver?
Ao longo da sua História, a humanidade foi capaz de construir modelos
económicos e sociais que funcionavam e que, embora potenciados pela doutrina,
precediam-na. A doutrina era desenvolvida e utilizada depois, quando essas
mesmas sociedades se queriam tornar dominantes e impor o seu modelo
antropológico. O imperialismo é filho da resposta doutrinária,
portanto, enquanto a doutrina deriva da evolução antropológica.
Talvez a grande novidade do Sec XIX tenha sido essa: uma espécie de metafísica, segundo a qual uma ideia racionalizada deveria preceder a vivência (evitei propositadamente dizer “a existência”). Essa quase teologia que originou das maiores injustiças, dos maiores massacres e das maiores ditaduras a que a humanidade assistiu.
Talvez a grande novidade do Sec XIX tenha sido essa: uma espécie de metafísica, segundo a qual uma ideia racionalizada deveria preceder a vivência (evitei propositadamente dizer “a existência”). Essa quase teologia que originou das maiores injustiças, dos maiores massacres e das maiores ditaduras a que a humanidade assistiu.
É por isso que gosto de olhar para o passado, de perceber o sentido da
evolução antes de chegarmos à ditadura da doutrina.
Houve alguns portugueses temerários no seu pensamento, que procuraram
formular sínteses entre os modelos de pensamento dominantes no seu tempo e as
forma de vida, o mesmo será dizer que entre a ideologia e a antropologia. Entre
eles, destaco Herculano, que toda a vida lutou por uma democracia sem “revolução
cultural”, isto é, sem destruição de tudo o que existia para construir sobre as
cinzas. Mas até mesmo Garret, na sua súbita nostalgia pelo frade, acabou por alinhar
nessa ideia de que a pura racionalidade tinha levado à destruição.
Enfim, não é que eu seja um cego admirador de Calisto Elói antes da queda, sobretudo porque ele mesmo já estava eivado do tal "pecado" doutrinador. Mas lá que o prefiro aos Pereiras de Melo, isso prefiro.
E que estou eu a fazer se não a entrar nessa mesma contradição? Sou mais um dos filhos do Sec. XIX, não há como fugir a isso. Porém, não tão legítimo que não conviva bem com as contradições da minha racionalidade, quando em confronto com a minha vivência.
Enfim, não é que eu seja um cego admirador de Calisto Elói antes da queda, sobretudo porque ele mesmo já estava eivado do tal "pecado" doutrinador. Mas lá que o prefiro aos Pereiras de Melo, isso prefiro.
E que estou eu a fazer se não a entrar nessa mesma contradição? Sou mais um dos filhos do Sec. XIX, não há como fugir a isso. Porém, não tão legítimo que não conviva bem com as contradições da minha racionalidade, quando em confronto com a minha vivência.
Luís Novais
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Voo em céu de cimento.
Voz que diz:
“és multidão”.
Sou eu:
me dizem não eu.
Sou outro:
negado me digo.
Querem-me.
Roubam-me.
Voo:
vejo-os.
Vejo-os:
sou.
Aterro:
perco-me.
Perdido:
não sou
Ser.
Momento que seja.
Só.
Antes me diga:
“Tu”,
“tu és tu”.
Só.
domingo, 25 de novembro de 2012
![]() |
| Capa da edição brasileira, Novembro, 2012 |
Ao Domingo, passei-o a atualizar
o álbum de “Quando o Sol se Põe em Machu Pichu”. Os trabalhos do meu editor e
da minha agente no Brasil, mereciam que me entregasse à tarefa. Interrompi as
escritas por um dia e andei enfiado nos baús do meu computador. Quase todas de 2006, as fotos são relativas às viagens que
fiz para escrever este livro.
Tarefa inacabada: apesar de o dizerem santo,
não faz milagres, o Domingo… ao longo da
semana colocarei mais. Todas estão acompanhadas pela transcrição do trecho que
lhes diz respeito.
Forte, foi redescobrir aquela em
que estou com Yvonne. Tinha eu acabado de chegar a Lima, de vê-la representar o
papel de Nina em “A Gaivota” de Tchekov. Convidei-a para almoçar no “Manos
Morenas”. Foi aí que, tal como a personagem Remédios na obra, me contou a lenda
da cidade perdida dos incas. No livro, inspirou-me a personagem; na vida real,
tornou-se minha mulher em Janeiro deste 2012.
E por falar em edição brasileira, tenho
de referir o meu agradecimento aos principais responsáveis: a primeira aposta
foi do Artur Castro Neves, mas também apostaram e muito o José Pio, a minha agente
Valéria Martins, o meu editor Marcus Teles. À Sheila Hue e ao Alexandre Moutaury, respetivamente do Real
Gabinete Português de Leitura e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro: ambos acederam a prefaciar esta edição. Muito obrigado.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
"É A HORA"?
É em resultado desta desadequação que jamais teremos uma Europa de alma connosco, ainda que a tenhamos de corpo, corpo de intervenção, às vezes e cada vez mais.
“Só vamos sair desta situação empobrecendo” (Passos Coelho,
Outubro 2011). “É um enorme aumento de impostos” (Vitor Gaspar, Outubro 2012). “Vamos
ter que reaprender a viver mais pobres” (Isabel Jonet, Novembro 2012)… Os exemplos poderiam suceder-se: os nossos responsáveis políticos (e hoje já não é possível
desenquadrar Jonet dessa categoria) parecem ter apostado na desesperança como
terapia de choque.
Infelizmente, a desesperança, quando propagada a tão alto
nível, acaba por ser uma profecia que se auto-cumpre. Os portugueses estão
descrentes e deprimidos; quem ainda acredita em si mesmo, deixou de acreditar
no país. Portugal está hoje entalado entre aqueles que mantêm uma pequena zona
de conforto que os impede de sair, entre a crescente sangria dos seus quadros
mais empreendedores e entre a progressiva saída das suas empresas mais
competitivas. Os primeiros ficam, mas com uma desmotivação que os torna improdutivos,
os segundos vão-se e criam riqueza fora do país, quanto às empresas, as que
ainda podem tocam a fechar as suas portas em Portugal e abrem sociedades no estrangeiro,
de onde não trarão um só euro.
Esta via depressiva é a única que a Europa tem para nos dar, disso
não restam dúvidas e as poucas que restassem partiram no mesmo voo em que Frau
Merkel foi de volta, depois da breve visita que nos fez. Com isto tudo, destroem-se os consensos mínimos sem os
quais não subsiste um país e basta andar pelas redes sociais para tirar tal
conclusão.
Portugal parece um Titanic com a sua
orquestra, mas com a originalidade de esta ter optado por tocar música fúnebre,
como que dizendo aos passageiros que é melhor desistirem de qualquer esforço
porque não têm a mínima chance de sobrevivência.
Estamos a precisar de uma via que nos volte a dar esperança.
Um povo desesperado não é capaz de se colocar de acordo nos mínimos, é um povo para o qual “tudo é disperso, nada é inteiro”.
Se a única coisa que a Europa nos pode dar é o discurso de
que temos de empobrecer, se a única liderança que a Europa consegue criar se
chama Merkel, então é o momento de encarar a situação de frente e, duma vez
por todas, sairmos a grande velocidade desse comboio.
A União Europeia não foi criada para integrar o sul e muito
menos Portugal. Criaram-na, isso sim, porque a História da sua metade central é
uma câmara de horrores. Sempre que se fala na necessidade de manter a União,
vem à baila que ela evita a guerra. E nós com isso? Foi palco em que nunca
estivemos e em que nunca quisemos estar. É precisamente porque a Europa serve apenas
para evitar os conflitos do seu passado, que a Alemanha pôde ter os
incumprimentos que teve na década de 50, beneficiar do enorme perdão de dívida
subsequente (inclusive à custa da Grécia) e declarar unilateralmente o fim da
sua dívida em 1990. É precisamente porque a Europa não serve para integrar o
sul, que ao sul nada disto é permitido e apenas lhe resta um estrito
respeitinho orçamental. E é em resultado desta desadequação que jamais teremos uma
Europa de alma connosco, ainda que a tenhamos de corpo, corpo de intervenção,
às vezes e cada vez mais.
A nossa geoestratégia e a nossa cultura são atlântica e linguística. Precisamos
de voltar a acreditar para nos unirmos num projeto que nos devolva a esperança,
que nos termine com esta guerra interna que, de fria, está em aquecimento
óbvio.
“É a hora”?
Luís Novais
domingo, 11 de novembro de 2012
AS CEROULAS DA FRAU
Vai para aí um burburinho inacreditável por causa dessa
visitante que tanto nos honra. Uns dizem que a Frau é culpada do que por aqui
vai. Outros dizem que tamanhos maldizeres só podem vir duns tipos de esquerda que
teriam um qualquer complexo de muro de Berlim mal resolvido.
Entre uns e outros, é com cada tempestade ideológica que já
ninguém se entende. Para aumentar a confusão, o Conselheiro Marcelo até pôs uns
putos da escola a fazer um vídeo, que aquela coisa só pode mesmo ser voluntarismo de escolares.
Eu cá, não dou para esse peditório. Pendo mais para o lado do
velho Almada e que se lixe tanta racionalidade em bicos de pés: não gosto que a
tipa nos visite porque ela usa ceroulas, de certeza que as usa.
Luís Novais
PS: Ah, é verdade… como às vezes também tenho o vício do
pensamento, gostei de ler este artigo: 'Germany Was Biggest Debt Transgressor of 20th Century'
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