terça-feira, 2 de julho de 2013

ÉDIPO REI em LIMA

Por que choras, menina
entrando na combi veloz?
“Choro que sinto sem saber
o que sabes sem sentir.
Tu que és,
eu que estou.
Dói-te ideia,
dói-me carne.
Dói-te que vês,
dói-me que vivo.
Dóis -me tu:
quem sabe sem sentir,
não sabe, nem sente.
E assim me vou:
chorando na combi veloz.
E assim te ficas:
perdido em cega ciência.

Pisas terra, tu;
navego lágrimas, eu”

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O meu júnior chama-se Luís Carlos. Tem 10 anos e hoje surpreendeu-me com este poema:

Eu não sou eu,
sou a pessoa que penso ser.
Que não sou.
Ninguém pensa ser
porque não é.
Mas há quem pense,
ser o que pensa

segunda-feira, 24 de junho de 2013

JIRÓN INCA, FRENTE AO TRIPLE

Vejo aquele cachorro.
Fareja lixos,
banquetes seus.
Ser humano, é vocação.
Não lho reconhecem;
Esses:
humanos caninos.
E ele:
paga igual.

sábado, 22 de junho de 2013

Representatividades

Um dia pus-me a fazer contas à qualidade da nossa democracia representativa. Concluí que 14.000 a 18.000 portugueses, são os que escolhem os deputados dos partidos que têm vindo a formar governo. Partidos esses que, no poder, nomeiam um mínimo de 17.000 titulares de cargos públicos... ou seja, tantos quantos os que lhes concedem elegibilidade. Os portugueses podem escolher os seus representantes? Podem: mas apenas de entre os que foram anteriormente escolhidos por este "conselho de guardiões

terça-feira, 18 de junho de 2013

Aforismos III

E eles aí estão: voltei à febre de aforismos.
Hoje foi a propósito de uma notícia que li sobre Aristides de Sousa Mendes.
Em 1940, e contra ordens emanadas de Lisboa,  o cônsul português em Bordéus salvava 30.000 judeus, passando-lhes os vistos de que precisavam para escapar ao terror alemão.

O aforismo de hoje saiu-me assim: "São de desobediência, os melhores exemplos que a História nos dá ".

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES

Tenho pena de estar com tanto trabalho que não tenho tempo para escrever uma reflexão mais profunda, sobre a forma como o governo lidou com a greve dos professores. 

Aqui vai, ainda que apressadamente. 

A greve é, apesar de tudo, um instrumento enquadrado no sistema. A atitude de Nuno Crato, tem um efeito no curtíssimo prazo e outro no curto. 

O que deveria assustar o governo (e não só) é este último. Quando a revolta é muita e justificada. Quando se mostra a uma classe e aos demais portugueses, que os governantes podem com algum êxito e muita arrogância esmagar as formas legais de luta. Quando assim é, transmite-se uma só mensagem: a legalidade já não vale a pena.

Luís Novais

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ROSAS SÃO, SENHOR

Já passou,
(o passado).
Nada a fazer.
Não chegou (amanhã).
E hoje é ontem.
Não há que fugir,
nem que ficar.
Mover é ilusão:
finitos somos,
d’infinitos habitantes.

Tudo que é,
já não foi.
O que foi, foi.
Grandes hoje;
amanhã, nada.
Somos pó, merda.
E viva ou morta,
outros nós
tal merda será.

Luís Novais