quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Montanha Voadora

Vento uiva.
Vontade, medo.
Ir, ficar.
Montanha!
Raíz t’agarra:
árvore ficas.
Folha livre:
voando t’encontras.
Terra, tronco:
no que fica,  és

…na que parte, serás

Luis Novais

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Tenho tendência para esquecer que a vida é um acidente do universo e que a espécie de que sou é um acidente da vida.

sábado, 3 de agosto de 2013

Sôbelo

Sôbelo rio que corre
por  ocidente m’achei ,
onde correndo chorei.
Raízes duas,
frutos três.
De glórias passadas,
desterros presentes.
De riso, choro;
sôbelo rio,
alegria que foi
lágrima qu'é.
Presença d’antes,
saudade d’agora:
Sôbelo rio
qu’ocidente
mais além
o sal me leva.
Fel salgado nascido,
em doce chegado.
Assim se viv’em sombra
qu’Homem julga verdade.
Dia porqu’escrito,
noite porqu'irreal.
E sôbelo rio vi correr
tanta verdade sem ser,
tanto dor verdadeira.
Oscilante desce
inglório rio vão,
tal justiça buscando.
Desequilíbrio constante
d’equilíbrio ilusório:
justo se fingindo,
querendo luz
sendo sombra.
E eu sem ser,
sôbelo rio que corre,
em sal chegarei.
Sente-me Sião!
Desprometida terra:
raízes, duas;
frutos, três.
Luz, é luz;
Sombra também:
desterro.

Luís Novais

terça-feira, 2 de julho de 2013

ÉDIPO REI em LIMA

Por que choras, menina
entrando na combi veloz?
“Choro que sinto sem saber
o que sabes sem sentir.
Tu que és,
eu que estou.
Dói-te ideia,
dói-me carne.
Dói-te que vês,
dói-me que vivo.
Dóis -me tu:
quem sabe sem sentir,
não sabe, nem sente.
E assim me vou:
chorando na combi veloz.
E assim te ficas:
perdido em cega ciência.

Pisas terra, tu;
navego lágrimas, eu”

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O meu júnior chama-se Luís Carlos. Tem 10 anos e hoje surpreendeu-me com este poema:

Eu não sou eu,
sou a pessoa que penso ser.
Que não sou.
Ninguém pensa ser
porque não é.
Mas há quem pense,
ser o que pensa

segunda-feira, 24 de junho de 2013

JIRÓN INCA, FRENTE AO TRIPLE

Vejo aquele cachorro.
Fareja lixos,
banquetes seus.
Ser humano, é vocação.
Não lho reconhecem;
Esses:
humanos caninos.
E ele:
paga igual.

sábado, 22 de junho de 2013

Representatividades

Um dia pus-me a fazer contas à qualidade da nossa democracia representativa. Concluí que 14.000 a 18.000 portugueses, são os que escolhem os deputados dos partidos que têm vindo a formar governo. Partidos esses que, no poder, nomeiam um mínimo de 17.000 titulares de cargos públicos... ou seja, tantos quantos os que lhes concedem elegibilidade. Os portugueses podem escolher os seus representantes? Podem: mas apenas de entre os que foram anteriormente escolhidos por este "conselho de guardiões